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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Então deixa

Deixa eu fazer música no pé de seu ouvido
Desafinar frases risonhas de uma noite de chuva e pintar o ar com arco-íris
Ser sol, ser vento e mar...

Deixa eu desafinar meu riso solto em teus ouvidos enquanto teu olhar me atravessa pelo espelho
Me acompanha na melodia do riso de menina que ecoa tua sala e faz morada em teu coração

Assim, deixa eu ser seu par.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

¿lo que se pasa?


- lo que se pasa com estes olhos frios que parece morrer encolhido?

São os olhos cansados de caminhar, que se entregaram a fumaça das desilusões e se perderam. São estes os olhos que beijam o rosto e me fazem companhia, o cobertor. Tão necessário e tão dolorido habita aqui.

Hoje não conhece o mundo afora e não abri-los seja o ideal, viver o fechamento das portas me faz prisioneira, mas também me liberta deste sonho amável de buscar com quem dividir este castelo que vem se  amontanhando para apresentar e dividi-lo ao lado de alguém. Pois que tá, já não preciso ser, um canto de uma sala já me cabe bem, assim aceito a penitência sem a culpa que me foi encarregado.

- Entendo e me percebo miúdo e incapaz diante dos teus ditos, sinto que ao falar-te dei cobertor para cobrir-te das paredes frias que desonhos orquestrei.

Me-Ela


Quê que eu faça longe de todo soneto, longe de um desejo ardente de buscar paz, de encontrar pouso em teus braços, nos dias que ser, simplesmente não mais cabe.

Ás vezes me surpreendo frente de ti iluminada, grande e destemida. Como me encanta ser tua longe de mim, marcaria um encontro contigo se pudesse conceder-me o privilégio da tua companhia, perguntar-te como consegue ser tão esplêndida longe de mim, entender como nos separamos e porque em mim coube  este pedaço tão vazio, incompleto, completamente estúpido e desprezível.

Quando me miram os olhos e admiram a beleza que por castigo deixaste, é quando me encho de uma ponta venenosa de ilusão que me corta por dentro.

- Mas por que dizes isto? Que a beleza que te deixei foi castigo?

Não lhe parece tão simples e nítido perceber esta pergunta inútil? Condenaste-me a uma beleza solitária, como rosas cobertas de espinhos que de longe é admirada e desejada, mas seu redor não tem ninguém.
Sinto frio e não tenho quem me abrace, meus lábios sedosos e macios se perdem ao tempo e o colo não tem quem despeje a cabeça.

Agora retruco: De que vale tamanha beleza se ao lado do meu travesseiro não tem quem me roube o cobertor?  


domingo, 29 de setembro de 2019

Dolores


De frente á tela do meu computador te assisto declinar dia pós dia
Perdendo o controle do império que custou erguer
Vencida por um amor que não é teu
Roteiro desamado que te fizeste assim, forte e ao mesmo tempo fraca

Se a dúvida é ir ou ficar, pegue apenas as contas que lhe põe de pé e siga
Sem lamentações, migalhas ou essa maldita corda pendurada sobre teu pescoço que insiste chamar de amor
Mas o que é o amor para você que não soube quem lhe vestia os pés no frio? Quem molhava teu pão quando sua garganta doída lhe impedia mastigar?

Me recuso dar audiência a esse poço de amargura que insistentemente você se arrasta
Talvez eu também, quem tanto diz te amar, esteja te deixando para trás quando com meus dedos sedentos, aperto o botão e desligo tua cena ao invés de acreditar no teu final feliz.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Apenas me abraça

Sou a gota do mar esperando um amor
Esperando um rio pra me desaguar
Sou o amor perfeito que ninguém quis receber
Sou a menina dos olhos de lágrimas

Sou teu sonho lindo
O sonho que não acreditava ser real
Sou a espera de um amor
Sou um infinito de sonhos de alguém
Sou o teu espaço na cama
Sou apenas meu desejo de amar

Se derrame em mim felicidade
Derrame em mim o teu completo e me deixa ser feliz
Arranque a tristeza de amar quem não me merece
Me deixa ser feliz tristeza minha
Me deixa ser feliz

E, quando o amor chegar, tudo estará perfeito...
Tudo estará completo, pois tudo já foi sonhado
Tudo foi planejando, que sua espera me pôs a desejar

E quando você chegar, te farei muito feliz
Te darei o meu amor perfeito
Te darei a tua vida que guardei

E quando você chegar, saberei que é você
Nossos olhos se encontrarão
E chorando te direi: Por que demorou tanto?
Por que me deixou sozinha?

Me abraça amor, apenas me abraça
Por muito tempo te esperei.
Apenas me abraça

14/03/2011

Sou capaz de tudo

Sou capaz de tudo...
Sou capaz de tudo pra arrancar você de mim
Sou capaz de infringir meus princípios
De matar a realidade
De me entregar a outros e adormecer

Sou capaz de tudo, pra te afogar em mim
Sou capaz de matar meus sonhos
Sou capaz de me matar aos poucos
Mas se quero, te tiro de mim

Sou capaz de tudo

Sou capaz de manchar a imagem da menina perfeita
Sou capaz de confundi tua memória e te fazer chorar

Sou capaz de me perder em outros braços, só pra esquecer os teus

Sou capaz de inventar uma nova forma de amar

Sou capaz de dormir chorando e acordar sorrindo
De dormir sozinha e acabar em outro quarto

Mais saiba que de tudo sou capaz

Pra te arrancar de mim, sou capaz sim
Me enterro e não choro
Me faço de prostitua no amor
Me faço areia e me desfaço
Morrendo aos poucos
Perco a respiração
Me jogo no mar, em profundo mar
E me mato de vez

14/03/2011

Só uma chance


Se tivéssemos a chance de corrigir nossos erros
lembraria onde te deixei e te pegaria de novo
Se tivéssemos a chance de voltar atrás
hoje saberia como ser feliz

Jamais sairia do meu sonho
Reteria as lágrimas que teimaram em cair
Reteria as palavras que da minha boca mudaram história
Reteria passos que cansados me doem

Se apenas houvesse uma chance
Uma única chance
EU FARIA TUDO DIFERENTE ou FARIA TUDO DE NOVO.

18/12/2011

Encantos

Ainda quero acreditar que as coisas são possíveis
Quero acreditar que as palavras são necessárias
Quero ouvir o silêncio da tu'alma e o poder do vento que me acalma

Ainda conto estrelas, ouço o mar, corro com o vento e choro a chuva
Tem quem me chame de contradição, tem quem me diga ser uma esperança.

Ainda penso no príncipe encantado, ser EU tua princesa.
Ainda espero as palavras de amor saírem de tua boca.

Ainda...

Quero acreditar que o amor a primeira vista possa bater em tua porta e me encontrar.
Quero acreditar que posso ser perfeita pra se amar
Quero acreditar nos milhões de besteiras que se conta em fadas.

Confesso que já sonhei ser a bela adormecida
Que a branca de neve tinha meu rosto
Que ao subir o castelo da Rapunzel, os braços que ele encontrava eram os meus
Sinto que me perco nos meus sonhos.

sinto-me mais Criança
Sinto-me ancorada nas veste de uma mulher.

22/01/2012

O CAÇADOR DE ENIGMAS


Em um dos cômodos, pequeno cômodo, seu mundo se faz grande e perspicaz.
Seu olhar sereno e penetrante, ele se faz morte de si mesmo.
Ele que sente ser gelo e fogo, seu corpo não se aquece e sua mente já se basta
Como se fosse um encontro do vento com o mar.
Seu olhar já parece decaído
Não é apenas um visitante, ele virou uma incógnita
Seus mistérios me tomam a mente
Tento entender seus atos e cada vez que chego perto, sinto-me mais atraído por este ser desconhecido chamado de visitante.
- Bom dia (disse ele) Neste momento me escondi dentro de mim mesma, a pele que habito tornou para mim um esconderijo. 
Levantei-me caminhei dois passos e senti como se meu corpo estivesse a correr numa maratona, o frio do meu corpo me transportava ao pólo norte e eu era seu próprio gelo.
Passei a analisar seus gestos, a forma de pentear os cabelos, o modo como dirigia suas mãos, me senti tão penetrado, me senti perante o espelho refazendo seus reflexos, sou eu seu reflexo.
E assim, mas uma noite caí, e ainda o posso ouvi a lamentar sobre seu telefone.
Já se passaram três dias de apuros e curiosidades, esse enigma me tira o sono, me tornei zumbi, amante da vida alheia, desconheço o que é dormir, qual sua necessidade na minha vida?
As únicas coisas que sei é que existe outro ser em outra ala
Isso já virou lição de casa e eu ainda não consegui fazer.
Do meu quarto posso ouvi choro e lamento, o eco do seu soluço não me parece estranho.
Posso ouvir gritar, me parece triste ou nem sei se alegre.
Um sorriso calibrado, já nem sei definir suas emoções, estou confuso.
Voltei ao nível um do meu jogo
Seu enigma contra mim se refaz
Desapontado decidi não ser mais seu desvelo.
Desvencilhar sua conexão com minha mente será a melhor opção, porque viraste um duraque para mim.
Sendo eu, um caçador de enigmas, vivo a desventura do objeto desconhecedor

2012

DESCONHECIDO


Me sinto hospedeiro, mosquito, animal
Me sinto um beija-flor sem folhas pra abrasar
Me sinto só
Me sinto estranho e ineficaz, um parasita a incomodar
Me sinto estranho e abandonado
Sinto que estou sendo carregado, um fardo de que preciso me libertar
Sinto em todos os instantes que faço passos errantes e tomo caminhos distantes
Sinto borboleta sem ninho
Um pássaro sem seu passarinho
Um luar sem estrelar
Não sinto apropriada para ser festejada e nem companhia para ser representada.
Na sua festa sou agonia que te faz presa.
Querendo eu ser sua amada, sou uma mera babaca tentando agradar, sabendo ser tudo em vão
São impressionantes como meus dedos têm pressa em representar, ser ele o auto das atenções
Meus inimigos estão tão perto quanto o contexto do dedo com a mão
Estão presentes em meus sonhos, no abrir e fechar dos olhos
Estão ao lado da minha cama
Estão em frente ao meu espelho
Meus medos estão em mim.


10/02/2012

Pés

Onde no frio a solidão é o cobertor do silencio que esquenta tudo menos os pés.
E a calmaria da tempestade, não indica nada que não seja a lua derramando sua tristeza sobre o mar, em reflexos de saudade.
A saudade mais doída de quem esta ao seu lado, mas errado, esta ao seu lado sem querer estar.
E quanto a um gesto de carinho, sobrevive o ser sozinho, só pra não machucar.
Pétalas em lágrimas inundando o seio ofegante e deixando perfume de flor.
Numa multiplicação exacerbada de pontos lacrimais, onde o cobertor que não esquenta os pés, já não impede que todo o corpo se congele em desespero de querer voltar ao inicio de tudo e rever os primeiros erros, e devorar o que se passou como se apagasse da memória o que te fez o que és.
Maldito maltrapilho é o amor vestido pra o baile da saudade.
Onde verão o meu amor (Pobrezinho!), como a mendigar o pão. E eu nada direi se lhe visse como que coberta de flores e um ramo de sorte entre os cabelos.
Se eu mirasse o teu olhar nessa hora, saberia que as palavras não dizem nada.
Como um lustre desejoso em iluminar meu caminho ao caminho da aurora, brilhando o esplendor de tanto amor acumulado, sorrindo o desespero de um pobre mal amado, sorriria se soubesse que pra ter o teu carinho me bastava ser eu.
Triste dor dos olhos meus, que ao te imaginar te recebe com lágrimas.
Essa saudade que me mata, esse erro que me maltrata descalça sobre chão.
Meu corpo nu em tempos frios. Sinto-me só, feito lua no sertão.
Onde o sol fosse meu amor, distante e impossível.
Desejando teu crepúsculo que há dias não sobrepõe em mim.
Maldito o tempo que me fez envelhecer moço, morrer menino nesse amor.
Num silencio tão forte, que o saltar do meu coração parece tambor a perturbar meu sono.
Jogado ao chão, em tempos frios, sinto o gelo sobre meus pés, tomando todo meu corpo.
Desejando ser teu novamente, não por instante, mas por inteiro. Tirar meu amor desse calabouço ao voltar pra mim.
Trazendo a primavera pro inverno meu.
Onde a gota de minha lágrima, toca meu rosto e seca.
Já estou seco, folha seca, cacto nu, exposto ao vento, chuva e sol.
Desejando os teus olhos, sentir teu sorriso, te esperando pra te amar sem medo.
Sonhar com teu sim, sem medo de perder teu amor por um outro qualquer.
Pois meu amor será sempre teu.
E se eu morrer... Será te amando.

19/09/2012 - feito com Suka

soneto 1

Vim aqui para falar contigo
Talvez não seja preciso
Talvez não haja canção

Por tempos perdeste de mim
O consolo de uma alma aflita
Que achou em você um deleite
Que buscou por toda uma vida

Não existe palavras concretas
Do que querer e te ter para mim

Só não pense que vivo bem longe
longe é você que se pôs diante de mim

A Beira, Ar

Mas se eu pensar em ir, não será para encontrar alguém que me faça mãe
Mas para que não pese em você a sensação de ter frustrado meus sonhos
A sensação de sermos tão diferentes.

Em mim existe um mar em fúria que não consegue transpassar a correnteza, mas indica sinais de chuva do outro lado da cidade
Rebobinando daremos no mesmo lugar.

Você diz que me ama e me pede para ser feliz com outro, mesmo eu tendo escolhido a você
Agita-me como um vulcão que machuca ao tocar a pele
Machuca acreditar que ouvi isso e que não foi a primeira vez.

Eu jamais te deixaria ir se o que eu mais quisesse era que você ficasse talvez seja o fato de sermos diferentes
Talvez um dia essa diferença nos mate
Te magoei a ponto de me sangrar por dentro
Foi tão barato esse amor que me faz chorar
Me faz ter medo de querer tanto e ser tão pouco querida

Eu que nunca fui do tipo de acreditar em felicidade, acreditei em você
Mas são nessas horas que venho de encontro a mim e me enxergo nessa lama

Me sinto preso em meus poemas que há muito não os viam
De volta ao quarto escuro senti por um instante uma necessidade de apagar tudo que lembrasse que você existiu em mim: conversas, posts, números, lembranças, peça, outra, você
Menos aquele momento onde você não era você.




Em sua vida

Quero ser muito mais que verso
Que poemas de cadernos
Que um curtir, compartilhar.
Quero ser sua pequenina
Sua princesinha
Te ouvir dizer que me ama e  meu coração sentir bombear.
Te quero além das palavras
Te ouvir na madrugada e em tuas palavras adormecer.
Te quero no silencio da distância
No toque de suas mãos
Na delicadeza do beijo

Te quero em todo momento
Beijar os lábios teus, porque os meus recusa outros que não seja os seus
Te amo

Valsa Ensanguentada

Enquanto o sangue escorre de seu corpo trêmulo estirado no chão
agonizando a sede do liquido que mancha o quintal
me alimento desta poça que encharca minha terra seca e sedenta.

Enquanto pedia socorro
seus vizinhos do cômodo ao lado aumentava o som para poder escutar melhor a valsa da debutante vestida de preto volante no salão.

uma, duas, três vezes ou mais 
rasgou de si as experanças de seguir caminhando
sonhando seus pesadelos constantes.

Que linda 
Que perfeita
Admirou a platéia enquanto ao chão um adeus se findou aos olhos nus.

Queria eu, ser

Queria alguém que pudesse me desatar os nós,
Que descosturasse essas linhas e tornasse nua minha alma ensanguentada e inflamada
Que rasgasse esses eus que machuca quem sou de verdade
Que limpasse essas vistas embaçadas que me fazem cair
Que me segure às mãos quando não consigo ser mais nada
Que me diga que sou capaz, que sou alguém
Que se importa com meus gritos aterrorizantes feitos espinhos em feridas nuas
Que me pegasse no colo e me fizesse um dengo
Que me mostrasse um motivo de ser quem eu sou e não desistir
Que amasse o amor em mim
Que me desse razão de seguir
Que dissesse que eu faço parte e por ser parte me diga “não vá!”
Que fosse chão, pão, lar
Que tirasse das minhas mãos a arma engatada do fim.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Caminho do fim


Dentro de mim um bálsamo que pulsa meu ser frio, intrépido, desiludido do que fora nós.
Me arremesso por entre os rios que deságua mar abaixo e eu que não sei nadar, me despeço em ar e torço que um pedacinho meu encontre teu corpo e beije tuas lembranças que fomos nós.
Feito purpurina que solto no ar encontra a pele quente e abraça, quero ser em céu nublado a correnteza que esvazio de mim em lágrimas. Quando de repente olha para o céu que sem quê nem porquê começara a chover, me enxerga daí, tão longe de mim?
Dividido sobre o olhar da plateia que impedia o beijo final e não se despedia das almas que sufocando aguardavam o fechar das cortinas para voltarem a sorrir. Eu estive ali o tempo todo assim, sufocando e jurando aguentar mais tempo assim.
Como balão de ar quente sem tocar o chão, fugindo pelo ar, sou eu, fugindo das lembranças que diariamente se constrói de nós.
Assim me lanço vento afora por este rio que deságua e eu não sei nadar.


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Questionado sobre meu calçado, adornei-o e alegrei as vistas dos atentos. Porém a frieza que atravessa meu solado não deixa de abraçar meus pés gelados e sensíveis ao chão cru que me debruça.

domingo, 8 de setembro de 2019

Foragido


Caminhando sobre este deserto florido, com espinhos e plumas de algodão que disfarçam os roxos provocados em minha pele, sinto que já não me cabe aqui, sinto que os meus passos já não fazem sentido ao teu lado. Agora me sinto um foragido correndo contra vento, escondendo-me de ti, para longe de suas lembranças e suas pegadas.

Agora como que remoída em processamento, já não me causa os espinhos, as dores são minhas maiores companhia longe de ti. Caminhando sobre flancos espinhosos que sangram meus pés e fazem pegadas, marcam todos os passos permitindo que me encontres, um passo atrás de mim, um passo longe de mim, mirando descansar em algum lugar.

Agora sou apenas a poça vermelha que borra o chão de algodão.

Agora preciso correr dos teus olhos e lhe permitir ser feliz, longe de mim, deste borrão que me tornei em tua pele, em tua vida. Preciso lhe impor que sorria e não me tenha na tua angustia, na divisão de teus pensamentos, na dualidade de querer-me que machuca teu coração.

Preciso saber dizer adeus acreditando que seu melhor está no outro, longe de mim, longe dessa fumaça que perturba teu sono e porventura tem meu nome. Por ventura eu sei seguir em frente e reconhecer que não sou sua escolha melhor e sim o vício que luta deixar, mas está preso a nós ou te tornando presa em mim. Para agora sei que preciso partir, te livrar da dor que agarra a alma, te manter livre de mim.

Sigo como foragido procurando onde repousar, um lugar onde aninhar meus sonhos e meu olhar tristonho, um coração carente de amar e assim me reconstruir dessas marcas espinhosas, desse borrão ensanguentado. Como metamorfose, em dores me reconstruir e me ter inteira, para além de uma borboleta livre e colorida, um ser diferente, único e vivo.

Agora sou um foragido me afastando da sombra que tornei em ti, depois te tanto amor.

Partindo eu vou e sobre teu sono me despeço com um beijo na testa e ganho voo, com lágrimas nos olhos e sangue nos pés, refolgando toda a lembrança de um amor que foi lindo e intenso, que fora diferente de todos que vi, um amor que me despediu, dissipando levo-o agora para longe de toda memória, para que possas ser feliz.

Assim me despeço devolvendo sua face e dissipando toda dualidade que minha presença lhe causa, e amanhã nada mais que a parte branca em sua memória, sem nada, sem fumaça, sem vida, sem eu.

Sem nós,

Apenas um foragido.



quinta-feira, 5 de setembro de 2019




Se continuar a falar assim, com essa voz de dengo que ao mesmo tempo é natural e carinhosa, vai me fazer acreditar que está apaixonada.

- Não posso?


Sim, pode!O medo sou eu não saber até onde posso mergulhar em tuas águas turvas.



.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Agora vai


Vai embora e me deixa com esse eco solitude
Esquece-me entre as linhas que separa o refrão entre o ontem e agora
Vai embora por minha veia esvaindo teu sangue

Despeço-me e lhe agradeço pelo tempo que circulou em meu coração desenganado, fazendo-se pulsação artificial abraçado ao meu peito
Das batidas a melodia para me mostrar que estou viva

Estive em coma e te achei preso a mim, casando sua respiração a minha
Como por suspiro me forcaste a enxergar e dançar esse ritmo

Foi lindo, mas agora vai, estou coagulando sua presença e sufocando minha garganta que soluça e te pede, vai embora
Quero voltar a viver meu sono profundo, desacelerar o ritmo que declarou meu coração, sentir minha respiração fracassar como que busca corda

Fico aqui assim, mas você vai...
Agora vai!

sexta-feira, 5 de julho de 2019

A garota e o poço

vejo a dor sangrar
vejo teu grito rasgar as entranhas
vejo o desfazer das vestes cobrir os olhos cegos que te admiram
Vejo uma flor morrer para satisfação dos aplausos
vejo ela olhando para mim
Cuida de mim,  - disse ela
Te chego perto, te sinto e percebo o quão distante a deixei

Preciso de ti, - disse ela me cerrando os olhos
A carrego no colo e me entrego em tua dor
Talvez seja a atitude mais errada que eu fiz, mas a tomo nos braços e lhe aceito
Como tudo, carrego sua dor e poço abaixo tentarei achar o caminho de volta a superfície

Viveremos nós ou morrerei com ela
De mãos dadas me entreguei e assim partimos
Assim eu fui
Ficando aqui o até logo ou meu adeus.

terça-feira, 18 de junho de 2019


                                       Hoje sou como água 
              que escorre entre seus dedos
em um processo de ressignificação
                                                    Aos
                                                         Poucos
                                                                   Um pouco
                                                                                 É o que
                                                                                            Se vai
                                                                                                     De nós...

Je suis malade, completamente doente


Chega, porque me atormenta com tua voz a me chamar? Sinto tua pausa nada dramática sussurrar meu nome enquanto diz que me ama e me abafa ao telefone. Por qual motivo me perturba o sono com suas mensagens nada codificadas? Me prende em meus pensamentos, me mostra que pássaro sem direção não pode voar, sem sua voz a me guiar não posso voar

Je suis malade, completamente doente

Estou doente, eu sei, doente nesse balde de sentimento que te encontrei e me afoguei sem me certificar da profundidade, como criança que se convence por doces, me convenceu pelos teus olhos e hoje me encontro assim, malade, cansada ao pé do telefone sentindo sua respiração exclamar que me ama e pedir que eu não vá

Je suis malade, completamente doente

Eu estou doente, te faço base na minha calma e te peço escusas por ser fraca e me envolver nesse embaçado causada por nossos prantos, eu cá e você lá, afogados nas nossas lágrimas, presa fácil de um autor que escreveu nosso amor e adormeceu sem cruzar nossos eus, como uma escrita sem interesse nós fomos dispersos e estamos cá, malades

Je suis malade, completamente doente

Me desfaço em dor, feito apagador que deixa borrado o que fomos nós, um quadro branco de sonhos, outrora belo e perspicaz, hoje rabiscado, manchado de dor e rasgando nós dois. Somos feito um e assim guiado pela voz que aos poucos se perde, te vejo cair, você está malade, completamente doente, embebecido pelo meu vinho, preso em meus sonhos sem ter como escapar, te vejo sangrar e estamos malades, completamente doentes nesse balde de sentimento que nos encontramos...

Malades


Inverno fora de tempo


Eu queria falar sobre um amor
Um amor que conheci no inverno fora de tempo, um amor que acendeu minh’alma
Lembro que te vi parado frente a mim e me desvencilhei, existia uma repulsa em querer estar distante, indiferente de qualquer coisa, distante de tudo, fora de mundo

Lembro-me lentamente vagando pela noite, desacreditada dos caminhos que meus passos davam, eu gritava ao universo e o céu calava diante de mim, foi assim que te encontrei, parado a olhar o mesmo céu que eu. Os meus pés que impulsionavam a ré fazia minha alma gritar para te pedir pra perto, fechei os olhos e lá estava eu perdido no abraço quente em meio ao frio do inverno fora de tempo.

Eu descobri o amor, diferente de tudo que já vivi, descobri o amor que rasgou minhas vestes e eu pude sentir ser engolida no abraço que me sufocara e me tirava o chão, meu peito inflado, era medo, era desejo, era você quem eu apertava e bradava explodindo ao universo, não me deixe!

Eu conheci o amor no inverno fora de tempo e desde que mudou as estações, nunca mais fui eu.

domingo, 9 de junho de 2019

Raia

O pássaro de muito cantar, calou e adormeceu, não quis incomodar a quem tanto foi seu.
A rosa que sempre foi bela, se viu desgraçada ao ver que sangrara o amor que era dela.
O sol sozinho se fechou, para todas as donzelas um grito de dor.
Quê mais terá eu? Indagou e secou.

terça-feira, 28 de maio de 2019

bailarina in rio

"
Do cálice que era sua alegria, também foi sua dor.
Do pote que Ihe dava gozo, te envenenou as entranhas.
O palhaço que movia seu riso, descontente deixou.
A mesma sapatilha que lhe dera o prazer, foi sua ferida maior e hoje ela chora.
"

quarta-feira, 15 de maio de 2019

i-Nós


Te escolheria mil vezes a cada dia se me deixasse entrar.
Te encontraria mil vezes no dia para te abraçar.
Te diria todo o dia as palavras que massageia o coração e abranda a alma.
Me faria seu inteiro pelo inteiro que faria em mim.
Seria sol para dias frios e chuva para dias de conchinha.
Cobertor para abraço e abraço para aconchego.
Te faria meu poema diário, meus versos mais lindos, desenharia em teu corpo toda minha poesia.
Seria eu, minha e sua.
Seria sua sem deixar de ser eu.
Seria teu inteiro mais completo.
O riso mais bobo e gostoso depois de um dia intenso.
O prazer de voltar para casa e ser casa.
Sim, por todo dia me faria casa, lar, teu lar... Nós.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Amorpão


Engraçado que eu iria começar escrevendo sobre encontrar o amor na fila do pão
Parei para pensar que fila de pão virou clichê para versos de amor
Acho que encontrar o amor já é um estado de procura que me inquieta
Há muito tempo procurei esse tal amor, até descobrir que ele estava somente em mim
Amor de pai, amigo, irmão, namorado, objetos, enfim, não, em mim

O amor é a ventania que sopra meu rosto neste exato momento
São meus dedos que traduzem esse silêncio do quarto e a voz que grita em minha cabeça
O amor está em mim, o amor sou eu

Engraçado falar de amor alguém que não consegue sentir nada além do que toca seu corpo, a chuva, o cobertor no frio, a quentura do fogo ardendo sua pele, o sol...
Mas o mais engraçado mesmo é falar de lábios cerrados
Talvez encontrar o amor na fila do pão só faça sentido no ato de comê-lo (o pão, é claro), o amor verdadeiramente está no pão do faminto
Dada conclusão me desfaço desse branco e fecho minha pauta.



quinta-feira, 18 de abril de 2019

Impasse

Os dias são como neblinas, tem seus admiradores, mas também os que preferem sua ausência por um dia mais quente.

Os dias são como chocolate, tem os chocólatras, mas também os que não podem chegar perto desse doce.

Os dias são como a chuva, embora muitos a admirem e supliquem sua presença, tem os que não podem receber por não ter capacidade de atender a sua chegada.

Os dias são como o inverno, aos casais são motivos para estarem agarradinhos, mas aos solitários, demasia que pede cobertor sobre cobertor.

Os dias são como um livre arbítrio, mas nem sempre podemos gozar desse prazer.

Os dias são como uma ponte e em cada ponta tem um de nós, por desorte da mesma, tem uma falha nela, uma rachadura, por desorte nossa temos o medo de arriscar, por desorte preferimos enamorar de longe, por desorte preferimos não sermos nós, por desorte é só eu é só você.


Os dias é como pássaro de asas curtas.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Cintilação

Quem sou eu que caminho perdido em meio ao riso
Que preenche de anistia seus eloquentes erros
Que bebe da chuva a sua cólera

Como alma que vaga tentando tocar o vento
Sentir o amor e ser real
Farsa que fantasia a cura, mas se perde para o teu ócio
Pastilha em guerra para suprimir a dor
Mesquinharia diante da criança faminta
Que planta fadiga
Que vive escondida atrás do véu
Que em ti se apresenta a solução exata
Que transforme em errata os escritos deste fim

Quem dera eu fosse só uma metáfora
Grito mudo que morre na boca e desagua sem fim

Quem dera eu fosse

domingo, 10 de março de 2019

eu, girassol

Imagina um campo de girassóis viradas entre si, transcendendo a grandeza do sol...
Imagina nesse campo um baile de borboletas, coloridas e brilhantes...
Imagina uma brisa gostosa tocando o rosto e fazendo carinho...
Imagina a leveza do toque, do beijo, do abraço...

A calmaria desse lugar, a leveza das coisas e demandas;
A sutileza do toque, o encanto das palavras, o sentimento que não vemos, nem tocamos, mas sentimos... (respira) como o vento. 

Ele que parece ponta de faca é apenas ventania que embala a alma na dança.
Me corta e me venera, dando cores um vermelhidão no corpo amarelo brilhante.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

"A" um mês

A um mês, virei sua vida e me fiz em seus “sonhos”
A um mês, vivemos entre o medo e o desejo
A um mês estamos namorando, e de fato não sei em que mar navegamos, sei que você se faz presentes em meus sonhos, um eterno amigo, namorado e amante.
A um mês, não sei se erro em tentar te esquecer ou continuar te amando

Talvez só precise falar

As vezes é só isso que ela precisa
As vezes ela não precisa de nada
Apenas sentir o que sente sem medo das acusações
Sentir o que sente seu coração quando fala dela mesmo
Sentir que tem um chão abaixo dos seus pés
Que ela não pode voar
Que ela é o voo da ave que bate asas sem sair do lugar
Talvez seja este o lugar dela
Viver a si mesmo
Sentir a si mesmo
Chorar sem medo de depois começar a sorrir
Viver além da intensidade
Talvez ela só precisa que eu segure suas mãos
Talvez ela só precise falar

Saudades é prosa narrada

Saudade é prosa de inicio
É caderno com rabisco
Letrinhas escrita nas mãos
Amor do que viveu e se vive
É a marca daquilo que é lindo
É seu nome gravado em meu peito
É ciumes até de um amigo
É você, é eu
É Rio, é Salvador 
É uma saudades de verdade
Narrada com muito amor

Nicoleta

Nicoleta borboleta
Que canta vento pelos cantos e perpetua com a beleza
Que enche todos de alegria
E incendeia a casa inteira
Me beija flor do campo
Ministra em mim tua presença
Que sua distância seja apenas
Poesia entrelinhas que enfeita a prosa inteira.

Meu silêncio

Sou amante do silêncio, embora adore o barulho
Mas prefiro o barulho das risadas, da respiração
Do gosto de suas palavras
Do vento que toca meu rosto
Os dias em que os dias não me revelam bons

Gosto do barulho do teu toque, do riso contido
Do movimentar de sua cabeça
Dos teus olhos mudando a direção
Sinto o barulho do meu choro mudo
Do meu grito entrelinhas
Do toque das lágrimas escorrendo em minha pele
Dos meus pensamentos que gritam minha estranheza
Do meu peito que ao meu tempo parece agitado, por não mais responder
Dos meu dedos que se movem e ninguém vê

Sou amante da dor que aquece meus instintos
Da louca enganosa que é o amor
Dos lembretes falsos em meu celular
Das mentiras que prefiro acreditar
Das misturas de dores que não fazem sentido
De se colocar como vítima de sua própria dor
De escolher chorar do que enxergar as lágrimas
Do viver em dois momentos distintos e atenuante
De se perder no mundo real ou fantasia

Onde me encontro ou me perco nestas frases?
Onde o querer e ser estão tão ligados?

No fim, o silêncio é o som mais barulhento que existe
O silêncio é o lugar só meu
O silêncio, onde só eu posso falar de forma branda e eloquente
No silêncio onde as coisas ganham sentido
Onde descubro e não sou descoberta
No silêncio, bravo silêncio, te encontrei… me encontrou

Como invade meu silêncio e fala de amor?
Como no silêncio também fala de teu amor?
Não te disse que ele é meu?

Com o silêncio tu me rouba e me tranca na loucura
Onde não vale falar de uma mesma dor
Onde não o temos mais por direito
Onde não é meu e nem seu
Onde me escorro como prosa

No barulho que gritou meu inicio e encerra minha estória
um dia penso que volte
Volte meu silêncio a ser só meu
E pedi-te neste silêncio: 
Não me diga nunca adeus.