Sou amante do silêncio, embora adore o barulho
Mas prefiro o barulho das risadas, da respiração
Do gosto de suas palavras
Do vento que toca meu rosto
Os dias em que os dias não me revelam bons
Gosto do barulho do teu toque, do riso contido
Do movimentar de sua cabeça
Dos teus olhos mudando a direção
Sinto o barulho do meu choro mudo
Do meu grito entrelinhas
Do toque das lágrimas escorrendo em minha pele
Dos meus pensamentos que gritam minha estranheza
Do meu peito que ao meu tempo parece agitado, por não mais responder
Dos meu dedos que se movem e ninguém vê
Sou amante da dor que aquece meus instintos
Da louca enganosa que é o amor
Dos lembretes falsos em meu celular
Das mentiras que prefiro acreditar
Das misturas de dores que não fazem sentido
De se colocar como vítima de sua própria dor
De escolher chorar do que enxergar as lágrimas
Do viver em dois momentos distintos e atenuante
De se perder no mundo real ou fantasia
Onde me encontro ou me perco nestas frases?
Onde o querer e ser estão tão ligados?
No fim, o silêncio é o som mais barulhento que existe
O silêncio é o lugar só meu
O silêncio, onde só eu posso falar de forma branda e eloquente
No silêncio onde as coisas ganham sentido
Onde descubro e não sou descoberta
No silêncio, bravo silêncio, te encontrei… me encontrou
Como invade meu silêncio e fala de amor?
Como no silêncio também fala de teu amor?
Não te disse que ele é meu?
Com o silêncio tu me rouba e me tranca na loucura
Onde não vale falar de uma mesma dor
Onde não o temos mais por direito
Onde não é meu e nem seu
Onde me escorro como prosa
No barulho que gritou meu inicio e encerra minha estória
um dia penso que volte
Volte meu silêncio a ser só meu
E pedi-te neste silêncio:
Não me diga nunca adeus.


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