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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

¿lo que se pasa?


- lo que se pasa com estes olhos frios que parece morrer encolhido?

São os olhos cansados de caminhar, que se entregaram a fumaça das desilusões e se perderam. São estes os olhos que beijam o rosto e me fazem companhia, o cobertor. Tão necessário e tão dolorido habita aqui.

Hoje não conhece o mundo afora e não abri-los seja o ideal, viver o fechamento das portas me faz prisioneira, mas também me liberta deste sonho amável de buscar com quem dividir este castelo que vem se  amontanhando para apresentar e dividi-lo ao lado de alguém. Pois que tá, já não preciso ser, um canto de uma sala já me cabe bem, assim aceito a penitência sem a culpa que me foi encarregado.

- Entendo e me percebo miúdo e incapaz diante dos teus ditos, sinto que ao falar-te dei cobertor para cobrir-te das paredes frias que desonhos orquestrei.

Me-Ela


Quê que eu faça longe de todo soneto, longe de um desejo ardente de buscar paz, de encontrar pouso em teus braços, nos dias que ser, simplesmente não mais cabe.

Ás vezes me surpreendo frente de ti iluminada, grande e destemida. Como me encanta ser tua longe de mim, marcaria um encontro contigo se pudesse conceder-me o privilégio da tua companhia, perguntar-te como consegue ser tão esplêndida longe de mim, entender como nos separamos e porque em mim coube  este pedaço tão vazio, incompleto, completamente estúpido e desprezível.

Quando me miram os olhos e admiram a beleza que por castigo deixaste, é quando me encho de uma ponta venenosa de ilusão que me corta por dentro.

- Mas por que dizes isto? Que a beleza que te deixei foi castigo?

Não lhe parece tão simples e nítido perceber esta pergunta inútil? Condenaste-me a uma beleza solitária, como rosas cobertas de espinhos que de longe é admirada e desejada, mas seu redor não tem ninguém.
Sinto frio e não tenho quem me abrace, meus lábios sedosos e macios se perdem ao tempo e o colo não tem quem despeje a cabeça.

Agora retruco: De que vale tamanha beleza se ao lado do meu travesseiro não tem quem me roube o cobertor?