- lo que se pasa com estes olhos frios que
parece morrer encolhido?
São os olhos cansados de
caminhar, que se entregaram a fumaça das desilusões e se perderam. São estes os
olhos que beijam o rosto e me fazem companhia, o cobertor. Tão necessário e tão
dolorido habita aqui.
Hoje não conhece o mundo afora
e não abri-los seja o ideal, viver o fechamento das portas me faz prisioneira,
mas também me liberta deste sonho amável de buscar com quem dividir este
castelo que vem se amontanhando para apresentar e dividi-lo ao lado de
alguém. Pois que tá, já não preciso ser, um canto de uma sala já me cabe bem,
assim aceito a penitência sem a culpa que me foi encarregado.
- Entendo e me percebo miúdo e
incapaz diante dos teus ditos, sinto que ao falar-te dei cobertor para
cobrir-te das paredes frias que desonhos orquestrei.

