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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Mausol(Eu)


Por que me chama para conversar, rir e passear se prefere andar do outro lado da rua separada por uma ponte condenada?
Por que me diz que posso confiar de olhos fechados se não tenho suas mãos para me guiar do lado de cá, por este caminho desconhecido que eu cega de nascença desconheço o colorido da vida?
Por que me oferece seus olhos para enxergar o brilho da vida se nem mesmo você pode ver?
Por quê? Quem dera eu acreditar que você ainda caminha comigo e todos podem atestar que não estou sozinha, mas é mais fácil e certo eu ler o som de apenas duas pegadas por este caminho sombrio e sem vida, ao toque do vento frio que me cerca e ri de minha desgraça. 
Infortuna minha acreditar que uma voz poderia ser real a me convidar para dançar na chuva e rir com os pássaros de mãos dadas com você, você que eu doentiamente recriei para não me sentir só, assim acreditar que poderia sair um pouco, respirar o ar dos vivos e por um instante me sentir um deles, a alguns palmos acima de mim.


MEU GRANDE AMOR


Eu te desenhei em uma folha branca e você de primeira pareceu meu arranjo perfeito, sem manchas ou rasuras, como quem te decora de um longo sonho de vida.
Decalcava cada pedaço seu que aninhava o meu, seu riso preso ao meu e seus olhos que me apertavam o peito e me esquentava do frio.
Não me faltou cores nesta paleta velha guardada em minha escrivaninha abandonada, de olhos fechados eu te sabia de cor, deitava meu rosto em seu peito e fazia ninho com suas mãos que me abraçava e me trazia segurança, o meu grande amor.
Ao que tudo me parecia perfeito, reluzia em meus olhos ainda fechados enquanto cobria cada detalhe do seu rosto que em meu sonho o via.
Como a passagem de um arco-íris em tempos de chuvas sobre casas de palhas, eu despertei ansiosa em te encontrar como tinha lhe deixado e me vi aqui, em um mundo desaguando sobre mim e eu afogando, morria em mim e desconhecia suas rasuras que se apagavam a cada novo risco e todo o trabalho de um pintor renomado desaparecia, permanecendo aquela tela branca e virgem.
Só os doentes para acreditar que podem viver um grande amor, mudar o destino da paixão... Mas que paixão?? Não, você não sabe o que é isto, não saberá o grande amor, está escrito  na palma de sua mão, não há amor em vida.
Torno a fechar meus olhos e me afogo enquanto me iludo que estou apenas dormindo e vivendo-o.