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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Casa de Sonhos

Carregada de emoções e histórias, conto e felicidade, a casa de sonhos parece perfeita.
Dentro de si uma garotinha linda, delicada e diferente. Seus olhos escuros e brilhantes, um sorriso encantador... Me  fascinava.

Parada no canto de seu quarto, com seus ursos sempre atracados em seus membros, me prendia contigo.
Tentei decifrar o que seus olhos intentos diziam, mas eu era incapaz de entender os códigos de sua alma, ela era um enigma, se fez enigma por muito tempo. Talvez fosse sua forma de se proteger.

Sua presença virou minha rotina, te descrevia nas paredes brancas de meu quarto, te via chorando sua dor. Embaçada das lágrimas que caía, seu reflexo era possível até de olhos fechados.
Todas as tardes e noites me fazia presente em sua casinha de sonhos, sempre que precisava ia ao seu encontro, ela foi minha companheira real, o silêncio mais companheiro, a palavra amiga, palavra muda que me acalmava, me acariciava e me ponhava pra dormir.
...

Anos se passaram, cresci, vivi sonhos impossíveis, a vida me dizia não precisar dela pra viver, me afastando  caminhava só.
Me fazia entender que  o mundo não era lugar para ela  e eu a deixei sem dizer adeus, sem ouvir seus sonhos, pisei em suas palavras e me fiz só.

Hoje, percebi que muito tempo se fez, parei, olhei pra trás e procurei a casinha que esquentava meus pés, faz muito tempo, mais ainda lembro da menina que me contava doces sonhos.
Ela possuía o maior tesouro que já vi em alguém, chorei, gritei seu nome, mas ela não me respondeu.
Então corri, corri tanto que o vento cuspia lembranças  em meu rosto de tempos de nós dois, de tudo que juntos vivemos, das brincadeiras alegres, de amores, sim, amores que até hoje parece vivo em ti.
Uma brava onda invadia meus olhos, eu ouvi tocar nossa música, sua música.
Eu te ressuscitava dentro de mim.

- Oi, disse ela pra mim.
Nos olhamos, seus olhos eram perfeitos, se passaram anos e ela sempre esteve aqui como outrora... abandonada, só e triste.

- Entre, disse ela.
Olhei nos seus olhos e vi a desgraça que tinha jogado sobre seus sonhos, sonhos construídos com muito cuidado, onde cada peça lhe custaram vidas, e eu destruir.

Sua casinha de sonhos permanecia perfeita. Entrei, conversamos por horas, revivemos cada história pausadamente, sem ter pressa de acabar.
A noite já havia ido se deitar e nem havíamos percebidos.
...

Agora o dia bate a porta e a menina adormece em meus braços, sentia seus olhos cansados, talvez doído de tanto chorar. 
A deitei em sua cama, te abracei aos seus ursos, puncho o seu favorito, ela apertava em seus braços. Talvez fosse medo de se senti só;
Olhei ela dormir por um instante e partir.

A casinha ficou pequena pra mim.
Eu já não sou perfeita pra ela, uma companhia doce e imaculada.

Eu ofusquei seus sonhos com minha ambição de abraçar o mundo e esqueci de quem me abraçava, troquei seus braços, por braços traidor.
Sinto como se minha pele se desmanchasse, me desfazendo por inteiro.
Mas eu sei, sei que ainda nos veremos, sua história não termina aqui.
Já não preciso dizer adeus
Um até logo me basta...