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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Amorpão


Engraçado que eu iria começar escrevendo sobre encontrar o amor na fila do pão
Parei para pensar que fila de pão virou clichê para versos de amor
Acho que encontrar o amor já é um estado de procura que me inquieta
Há muito tempo procurei esse tal amor, até descobrir que ele estava somente em mim
Amor de pai, amigo, irmão, namorado, objetos, enfim, não, em mim

O amor é a ventania que sopra meu rosto neste exato momento
São meus dedos que traduzem esse silêncio do quarto e a voz que grita em minha cabeça
O amor está em mim, o amor sou eu

Engraçado falar de amor alguém que não consegue sentir nada além do que toca seu corpo, a chuva, o cobertor no frio, a quentura do fogo ardendo sua pele, o sol...
Mas o mais engraçado mesmo é falar de lábios cerrados
Talvez encontrar o amor na fila do pão só faça sentido no ato de comê-lo (o pão, é claro), o amor verdadeiramente está no pão do faminto
Dada conclusão me desfaço desse branco e fecho minha pauta.



quinta-feira, 18 de abril de 2019

Impasse

Os dias são como neblinas, tem seus admiradores, mas também os que preferem sua ausência por um dia mais quente.

Os dias são como chocolate, tem os chocólatras, mas também os que não podem chegar perto desse doce.

Os dias são como a chuva, embora muitos a admirem e supliquem sua presença, tem os que não podem receber por não ter capacidade de atender a sua chegada.

Os dias são como o inverno, aos casais são motivos para estarem agarradinhos, mas aos solitários, demasia que pede cobertor sobre cobertor.

Os dias são como um livre arbítrio, mas nem sempre podemos gozar desse prazer.

Os dias são como uma ponte e em cada ponta tem um de nós, por desorte da mesma, tem uma falha nela, uma rachadura, por desorte nossa temos o medo de arriscar, por desorte preferimos enamorar de longe, por desorte preferimos não sermos nós, por desorte é só eu é só você.


Os dias é como pássaro de asas curtas.