Engraçado que eu iria começar escrevendo sobre encontrar o amor na
fila do pão
Parei para pensar que fila de pão virou clichê para versos de amor
Acho que encontrar o amor já é um estado de procura que me inquieta
Há muito tempo procurei esse tal amor, até descobrir que ele estava somente
em mim
Amor de pai, amigo, irmão, namorado, objetos, enfim, não, em mim
O amor é a ventania que sopra meu rosto neste exato momento
São meus dedos que traduzem esse silêncio do quarto e a voz que grita
em minha cabeça
O amor está em mim, o amor sou eu
Engraçado falar de amor alguém que não consegue sentir nada além do
que toca seu corpo, a chuva, o cobertor no frio, a quentura do fogo ardendo sua
pele, o sol...
Mas o mais engraçado mesmo é falar de lábios cerrados
Talvez encontrar o amor na fila do pão só faça sentido no ato de
comê-lo (o pão, é claro), o amor verdadeiramente está no pão do faminto
Dada conclusão me desfaço desse branco e fecho minha pauta.

