domingo, 12 de março de 2017
tic... tac...
Tic... tac... tic... tac... tic... tac (insistia em longas batidas e longos tempos)
Insistia meu tempo em ti, insistia em gritar seu nome
Insistia em lembrar que já temos muito de nós
Muito de sós.
É como chegar a três passos de cada vida.
Perceber que a orquestra já não embala a mesma nota, outrora, fora repetidas em inúmeros baques desse meu tic.
Respeitar o espaço, o tempo, o respirar de cada canção.
Sentir o vento soprar através das mãos.
Me beija?
tic.. tac... tic... tac... tic... tac (insistia em longas batidas e longos tempos)
Me olho em teus olhos fugindo de mim.
Não reconheço um só detalhe meu, um só detalhe seu.
Sabe aquele vento lá fora que não pede licença para entrar?
Sabem das lágrimas que escorrem no olhar?
Sabe da garganta seca gritando um mesmo nome?
Sabe da pausa que a vida dá quando se não há respiração mútua?
Sabe do soluço gritante na escuridão?
Sabe quantas vezes ainda vejo teu rosto?
Sabe, você sabe.

