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sábado, 29 de dezembro de 2018

Dolente


Para cada adeus, um conto
Desconto um tanto de minha dor
Da dor trago risos e olhos alentos
Das faces perdidas que se causou

A cada passado procuram-se cantos
Sem tantos embargos que trago na cor
Apenas aquilo que vês neste rosto
Um belo sorriso ao ver-te formou
Ao belo momento que olhos se afastam
Desfaço a face e retoma minha dor

Dos olhos manchados que tanto circulam
De cada esquina me força ser flor
De tantos buracos marcados na alma
Tropeçam as máscaras que faz-me ter cor

Quisera um dia cair sobre a terra
As faces machadas de uma vida de dor

A cada esquina que me encontras perdidas
Um belo sorriso lhe basta entregar

Apenas isso, apenas ...
Lhe entrego e me vou.


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Braços e afagos


Sem tidos e porquês, sempre recusei abraços, nunca entendia aquele sentido e a estranheza que ele me causava, mas a certeza que não me encontrava naquele gesto de fim de semana, final de ano, aniversário e manifestações qualquer, o abraço nunca me fora um lar, até você.
Até você chegar e me acalmar como quem pega um bebê que acabara de nascer e lhe mostra o calor de quem lhe foi e lhe é lar.

Em teus braços fiz morada e não pude recusar o estranho que me arrancava para mais perto...
Toca-me e me faz aterro, assim é como quero estar.

Como capricho de amparo me entrego em seu lento e propício colo.
Dois arcos que se alinham e cruza horizonte, faço dentro de ti ninho para meu contento e me repouso em teu peito.
Como quem procura pouso me lanço e aterro, movido pelo forte cheiro de amparo, me amparo e me faço abraço.
Eu que nunca senti a realeza de ali morar, me vi enraizada em tua pele que na minha se alinhava, minha pulsação se mistura a sua e nossos corpos atravessam aquele instante.

Em uma balada me pego de olhos vendados dançando a tua música, sem ritmo, sem chão, sem ar.
Convidada a uma dança me desloco e ao teu encontro, uma dança cujas almas se mostram, se olham, se molham pelo desejo de serem uma.

Ah baby, se soubesse parar o mundo como acamava meu coração.
Se soubesse como prender todas as minhas angústias e me colocar a ti, fixar meu corpo e alma a uma só respiração.
Em um instante não tão soubesse de mim, me conheceste por completo sem jogar teus búzios deixastes nu a minha alma, que agora deseja ficar ali, parada a tua.

Ei que sempre conheci o poder dos lábios que se tocam, nunca senti a alma que beija, assim você me beijou sem molhar minha boca, sem mexer um músculo.
Ali beijava sua alma a minha num abraço.
No rascunho da noite,
perfeita noite.



domingo, 9 de dezembro de 2018

TRÊS PARA QUINZE

Três pra quinze e me pego aqui, cercado de textos, feitos e jeitos.
Estou aqui de celular e fixo na mão.
Aquela vontade insana de te ligar, de rediscar uma chamada muda
Uma chamada sem voz, sem retorno e sem sentido

Três e quinze e eu, ímpares, embora inteiros, ímpar. 
Em um mundo tão gritante e silencioso faço nó em hemisfério cerebral totalmente perturbado, sentenciado as mesmas batidas de relógio que parece não trabalhar, mas ficar no automático, sem seios e sem egos...

Três para quinze, dois, um, quinze.
Quinze horas que minha mente parou no tempo, eu, os telefones, este texto e você, sim, em meu pensamento.
Estou preso em um tempo que não pára, não dispara minha pulsação e não me tira de lá, para lá onde o brilho está nas cores e não no cinza de uma loucura árdua, arduamente desesperadora de quem precisa sair.

Ser horas, ser luz, ponteiro.

gira... Estou aqui, na mesma batida esperando você por mim.
gira... a mesma sintonia desde que me descobri.
gira... Sou o catavento que não pára
Sou o ponteiro que bate cada tempo em volta de ti. 
Se me carregares eu bato, se me deixares, morro aqui em um tempo perdido no atraso de uma hora por ti.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Amores Rasos

Há rasidade sobre os dias sem te ver 
Sem ser o mesmo que você
O sentido de ser tão raso dentro de ti e vasos rasos não se completam...
O sentir da tua partida e o fechar da porta abafando meu peito de ar.

O amor raso posto no dia em que minha mão escorregou da sua, e eu senti suas pegadas se afastarem de mim. Quando meus olhos te chamavam e seus lábios pediam para eu ir... vá... vá.

Às vezes a gente vive a redundância, o risco de se riscar em um  mundo afora, desconhecido, escuro e incerto.
Como quem se lança em braços alheios sem saber se alguém lhe amparará.
Como o vento que sai rua afora, com toda sua ferocidade sem saber quem alcança ou onde vai chegar, mas ele segue, cerca e marca.
Mas não é sobre isso que fica, são sobre as ausências, a mudez e a mão trêmula que sente a falta da tua.

Sobre como me sinto talvez seja insignificante para quem carrega um sentimento tão raso, pessoas rasas não conhecem o poder de avançar e acreditar. E eu não sou rasa, sou cheia em mim, só feito mar, forte, firme e decidido...

Caminho pela areia da minha orla, tão linda, tão cheia, tão ornada. Vejo-a, de frente ao mar como quem conversa e entende o barulho das ondas, estais a conversar ou reclamar. Mas do que reclama quem muito tem e muito atrai?
Seus cabelos são sintonia que controla a velocidade oceânica e me causa frio. Se grito ela não ouve, mas se caminho sinto-a... xiiiiiu (pausa) disse ela como quem, com o dedo em minha boca pede silêncio, xiiiiu... Novamente. Conversas comigo ou conversas com o mar?
Minha pulsação entra em uma constante, não sei em que mundo entrei, mas sinto que minhas batidas alinham-se ao dela. Ser só eu, ser só ela, ser mar.
Toco-a, mas não a sinto, não mais a vejo, só o mar. Seria eu ela, seria ela o mar ou ela e o mar em mim?

Percebes que em vasos rasos não se guarda quem é mar, mas que o mar se encanta por se deixar entrar, sem medo e sem ditos. O mar é feito de marés: Tem mar de maré cheia, quando atinge a sua maior altura na imensidão do amor. São feito furacões que te tomam e fazem moradas, são marés vivas, forte e decididas;
Também o mar de maré baixa, sem força, sem constância. Quando se estabelece em sua fraqueza e ela só recai, talvez ela ainda volte, talvez nunca mais...

Mas dessas marés, eu que eu não sei ser rasa, não me importa o ínfimo, sou preiamar, preia-mar... prei- AMAR.
Forte, viva, VIDA...
VIDA é o que sou,

A MAR.