Sem
tidos e porquês, sempre recusei abraços, nunca entendia aquele sentido e a
estranheza que ele me causava, mas a certeza que não me encontrava naquele
gesto de fim de semana, final de ano, aniversário e manifestações qualquer, o
abraço nunca me fora um lar, até você.
Até
você chegar e me acalmar como quem pega um bebê que acabara de nascer e lhe
mostra o calor de quem lhe foi e lhe é lar.
Em
teus braços fiz morada e não pude recusar o estranho que me arrancava para mais
perto...
Toca-me
e me faz aterro, assim é como quero estar.
Como
capricho de amparo me entrego em seu lento e propício colo.
Dois
arcos que se alinham e cruza horizonte, faço dentro de ti ninho para meu
contento e me repouso em teu peito.
Como
quem procura pouso me lanço e aterro, movido pelo forte cheiro de amparo, me
amparo e me faço abraço.
Eu
que nunca senti a realeza de ali morar, me vi enraizada em tua pele que na minha
se alinhava, minha pulsação se mistura a sua e nossos corpos atravessam aquele
instante.
Em
uma balada me pego de olhos vendados dançando a tua música, sem ritmo, sem
chão, sem ar.
Convidada
a uma dança me desloco e ao teu encontro, uma dança cujas almas
se mostram, se olham, se molham pelo desejo de serem uma.
Ah
baby, se soubesse parar o mundo como acamava meu coração.
Se
soubesse como prender todas as minhas angústias e me colocar a ti, fixar meu
corpo e alma a uma só respiração.
Em
um instante não tão soubesse de mim, me conheceste por completo sem jogar teus
búzios deixastes nu a minha alma, que agora deseja ficar ali, parada a tua.
Ei que sempre conheci o poder dos lábios que se tocam, nunca senti a alma que beija,
assim você me beijou sem molhar minha boca, sem mexer um músculo.
Ali
beijava sua alma a minha num abraço.
No
rascunho da noite,
perfeita
noite.


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