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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Braços e afagos


Sem tidos e porquês, sempre recusei abraços, nunca entendia aquele sentido e a estranheza que ele me causava, mas a certeza que não me encontrava naquele gesto de fim de semana, final de ano, aniversário e manifestações qualquer, o abraço nunca me fora um lar, até você.
Até você chegar e me acalmar como quem pega um bebê que acabara de nascer e lhe mostra o calor de quem lhe foi e lhe é lar.

Em teus braços fiz morada e não pude recusar o estranho que me arrancava para mais perto...
Toca-me e me faz aterro, assim é como quero estar.

Como capricho de amparo me entrego em seu lento e propício colo.
Dois arcos que se alinham e cruza horizonte, faço dentro de ti ninho para meu contento e me repouso em teu peito.
Como quem procura pouso me lanço e aterro, movido pelo forte cheiro de amparo, me amparo e me faço abraço.
Eu que nunca senti a realeza de ali morar, me vi enraizada em tua pele que na minha se alinhava, minha pulsação se mistura a sua e nossos corpos atravessam aquele instante.

Em uma balada me pego de olhos vendados dançando a tua música, sem ritmo, sem chão, sem ar.
Convidada a uma dança me desloco e ao teu encontro, uma dança cujas almas se mostram, se olham, se molham pelo desejo de serem uma.

Ah baby, se soubesse parar o mundo como acamava meu coração.
Se soubesse como prender todas as minhas angústias e me colocar a ti, fixar meu corpo e alma a uma só respiração.
Em um instante não tão soubesse de mim, me conheceste por completo sem jogar teus búzios deixastes nu a minha alma, que agora deseja ficar ali, parada a tua.

Ei que sempre conheci o poder dos lábios que se tocam, nunca senti a alma que beija, assim você me beijou sem molhar minha boca, sem mexer um músculo.
Ali beijava sua alma a minha num abraço.
No rascunho da noite,
perfeita noite.



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