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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Mausol(Eu)


Por que me chama para conversar, rir e passear se prefere andar do outro lado da rua separada por uma ponte condenada?
Por que me diz que posso confiar de olhos fechados se não tenho suas mãos para me guiar do lado de cá, por este caminho desconhecido que eu cega de nascença desconheço o colorido da vida?
Por que me oferece seus olhos para enxergar o brilho da vida se nem mesmo você pode ver?
Por quê? Quem dera eu acreditar que você ainda caminha comigo e todos podem atestar que não estou sozinha, mas é mais fácil e certo eu ler o som de apenas duas pegadas por este caminho sombrio e sem vida, ao toque do vento frio que me cerca e ri de minha desgraça. 
Infortuna minha acreditar que uma voz poderia ser real a me convidar para dançar na chuva e rir com os pássaros de mãos dadas com você, você que eu doentiamente recriei para não me sentir só, assim acreditar que poderia sair um pouco, respirar o ar dos vivos e por um instante me sentir um deles, a alguns palmos acima de mim.


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