Eu te desenhei em uma folha branca
e você de primeira pareceu meu arranjo perfeito, sem manchas ou rasuras, como
quem te decora de um longo sonho de vida.
Decalcava cada pedaço seu que
aninhava o meu, seu riso preso ao meu e seus olhos que me apertavam o peito e
me esquentava do frio.
Não me faltou cores nesta paleta
velha guardada em minha escrivaninha abandonada, de olhos fechados eu te sabia
de cor, deitava meu rosto em seu peito e fazia ninho com suas mãos que me
abraçava e me trazia segurança, o meu grande amor.
Ao que tudo me parecia perfeito, reluzia em meus olhos ainda fechados enquanto cobria cada detalhe do
seu rosto que em meu sonho o via.
Como a passagem de um arco-íris
em tempos de chuvas sobre casas de palhas, eu despertei ansiosa em te
encontrar como tinha lhe deixado e me vi aqui, em um mundo desaguando sobre mim
e eu afogando, morria em mim e desconhecia suas rasuras que se apagavam a cada
novo risco e todo o trabalho de um pintor renomado desaparecia, permanecendo aquela tela branca e virgem.
Só os doentes para acreditar que
podem viver um grande amor, mudar o destino da paixão... Mas que paixão?? Não,
você não sabe o que é isto, não saberá o grande amor, está escrito na palma de sua mão, não há amor em vida.
Torno a fechar meus olhos e me
afogo enquanto me iludo que estou apenas dormindo e vivendo-o.


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