Quê que eu faça longe de todo soneto,
longe de um desejo ardente de buscar paz, de encontrar pouso em teus braços, nos
dias que ser, simplesmente não mais cabe.
Ás vezes me surpreendo frente
de ti iluminada, grande e destemida. Como me encanta ser tua longe de mim,
marcaria um encontro contigo se pudesse conceder-me o privilégio da tua
companhia, perguntar-te como consegue ser tão esplêndida longe de mim, entender
como nos separamos e porque em mim coube este pedaço tão vazio,
incompleto, completamente estúpido e desprezível.
Quando me miram os olhos e admiram
a beleza que por castigo deixaste, é quando me encho de uma ponta venenosa de
ilusão que me corta por dentro.
- Mas por que dizes isto? Que a
beleza que te deixei foi castigo?
Não lhe parece tão simples e nítido
perceber esta pergunta inútil? Condenaste-me a uma beleza solitária, como rosas
cobertas de espinhos que de longe é admirada e desejada, mas seu redor não tem
ninguém.
Sinto frio e não tenho quem me
abrace, meus lábios sedosos e macios se perdem ao tempo e o colo não tem quem
despeje a cabeça.
Agora retruco: De que vale
tamanha beleza se ao lado do meu travesseiro não tem quem me roube o
cobertor?


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