RSS

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Me-Ela


Quê que eu faça longe de todo soneto, longe de um desejo ardente de buscar paz, de encontrar pouso em teus braços, nos dias que ser, simplesmente não mais cabe.

Ás vezes me surpreendo frente de ti iluminada, grande e destemida. Como me encanta ser tua longe de mim, marcaria um encontro contigo se pudesse conceder-me o privilégio da tua companhia, perguntar-te como consegue ser tão esplêndida longe de mim, entender como nos separamos e porque em mim coube  este pedaço tão vazio, incompleto, completamente estúpido e desprezível.

Quando me miram os olhos e admiram a beleza que por castigo deixaste, é quando me encho de uma ponta venenosa de ilusão que me corta por dentro.

- Mas por que dizes isto? Que a beleza que te deixei foi castigo?

Não lhe parece tão simples e nítido perceber esta pergunta inútil? Condenaste-me a uma beleza solitária, como rosas cobertas de espinhos que de longe é admirada e desejada, mas seu redor não tem ninguém.
Sinto frio e não tenho quem me abrace, meus lábios sedosos e macios se perdem ao tempo e o colo não tem quem despeje a cabeça.

Agora retruco: De que vale tamanha beleza se ao lado do meu travesseiro não tem quem me roube o cobertor?  


Nenhum comentário:

Postar um comentário