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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

A deriva

Estou presa no Mar

Lembro que caminhava pelo campo de rosas com grandes espinhos, eu entendedor deles admirava quem passava por seus encantos, sentia-os e seguia sorrindo resplandecida em sua beleza. Os espinhos não eram problemas, para admirar uma rosa precisa entender suas necessidades.

Com teu cheiro brisa me chamaste atenção, tão azul, tão límpido, tão belo, és o mar. Teu canto me enfeitiçara, como canto de sereia. Mas quem pode comparar ao canto de sereia sem nunca ouvi-la?

Meu barco é pequeno e talvez não aguente uma correnteza, estou preso no mar e preciso me despedir.

Meus braços sentem-se como se remar não avançasse, não era medido a força, era medido a distancia, mais perto de ti ou mais perto de mim.

Não hesitei, segurei em tuas mãos e segui, era pequeno, um bote pequeno e aparente seguro, era o suficiente para me assentar e viver o invisível. Caminhávamos sem importar com sua profundidade, tu era grande, forte e lindo.

De dia clareava com um belo sorriso de canto a canto, falavas ao meu ouvido e me dava paz, seu sussurro eram a brisa que dançava meu corpo. De noite me abraçava e me fazia aquecida quando tudo parecia frio e solidão.

Remei e desejei cada vez ir mais longe, cada vez mais perto deste outro lugar. Desprendi-me das algemas e vida de dor, descobri os sonhos empoeirados e limpei toda a casa... Revivi.

Percebi que vivia em uma gaiola aprisionada, onde não era permitido sonhar, percebi que nunca se apagou e que ainda que cinzas, pode se incendiar quem muito viveu dentro de ti.

As ondas estão agitadas, percebo as águas molharem meus pés, o desespero toma conta de mim, não consigo enxergar a distância para esse lugar, não consigo te enxergar, percebo o quão frio está a noite, me vejo só, diz alguma coisa.

 Estou neste abismo, neste mar onde não se vê pegadas, me sinto só e com medo.
Já não consigo ver nós, bagunço meus sonhos, ponho as vendas e mudo os passos...

Se ainda estás aqui, diz alguma coisa...

Estou desistido de nós.

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