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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Pés

Onde no frio a solidão é o cobertor do silencio que esquenta tudo menos os pés.
E a calmaria da tempestade, não indica nada que não seja a lua derramando sua tristeza sobre o mar, em reflexos de saudade.
A saudade mais doída de quem esta ao seu lado, mas errado, esta ao seu lado sem querer estar.
E quanto a um gesto de carinho, sobrevive o ser sozinho, só pra não machucar.
Pétalas em lágrimas inundando o seio ofegante e deixando perfume de flor.
Numa multiplicação exacerbada de pontos lacrimais, onde o cobertor que não esquenta os pés, já não impede que todo o corpo se congele em desespero de querer voltar ao inicio de tudo e rever os primeiros erros, e devorar o que se passou como se apagasse da memória o que te fez o que és.
Maldito maltrapilho é o amor vestido pra o baile da saudade.
Onde verão o meu amor (Pobrezinho!), como a mendigar o pão. E eu nada direi se lhe visse como que coberta de flores e um ramo de sorte entre os cabelos.
Se eu mirasse o teu olhar nessa hora, saberia que as palavras não dizem nada.
Como um lustre desejoso em iluminar meu caminho ao caminho da aurora, brilhando o esplendor de tanto amor acumulado, sorrindo o desespero de um pobre mal amado, sorriria se soubesse que pra ter o teu carinho me bastava ser eu.
Triste dor dos olhos meus, que ao te imaginar te recebe com lágrimas.
Essa saudade que me mata, esse erro que me maltrata descalça sobre chão.
Meu corpo nu em tempos frios. Sinto-me só, feito lua no sertão.
Onde o sol fosse meu amor, distante e impossível.
Desejando teu crepúsculo que há dias não sobrepõe em mim.
Maldito o tempo que me fez envelhecer moço, morrer menino nesse amor.
Num silencio tão forte, que o saltar do meu coração parece tambor a perturbar meu sono.
Jogado ao chão, em tempos frios, sinto o gelo sobre meus pés, tomando todo meu corpo.
Desejando ser teu novamente, não por instante, mas por inteiro. Tirar meu amor desse calabouço ao voltar pra mim.
Trazendo a primavera pro inverno meu.
Onde a gota de minha lágrima, toca meu rosto e seca.
Já estou seco, folha seca, cacto nu, exposto ao vento, chuva e sol.
Desejando os teus olhos, sentir teu sorriso, te esperando pra te amar sem medo.
Sonhar com teu sim, sem medo de perder teu amor por um outro qualquer.
Pois meu amor será sempre teu.
E se eu morrer... Será te amando.

19/09/2012 - feito com Suka

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