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terça-feira, 24 de setembro de 2019

O CAÇADOR DE ENIGMAS


Em um dos cômodos, pequeno cômodo, seu mundo se faz grande e perspicaz.
Seu olhar sereno e penetrante, ele se faz morte de si mesmo.
Ele que sente ser gelo e fogo, seu corpo não se aquece e sua mente já se basta
Como se fosse um encontro do vento com o mar.
Seu olhar já parece decaído
Não é apenas um visitante, ele virou uma incógnita
Seus mistérios me tomam a mente
Tento entender seus atos e cada vez que chego perto, sinto-me mais atraído por este ser desconhecido chamado de visitante.
- Bom dia (disse ele) Neste momento me escondi dentro de mim mesma, a pele que habito tornou para mim um esconderijo. 
Levantei-me caminhei dois passos e senti como se meu corpo estivesse a correr numa maratona, o frio do meu corpo me transportava ao pólo norte e eu era seu próprio gelo.
Passei a analisar seus gestos, a forma de pentear os cabelos, o modo como dirigia suas mãos, me senti tão penetrado, me senti perante o espelho refazendo seus reflexos, sou eu seu reflexo.
E assim, mas uma noite caí, e ainda o posso ouvi a lamentar sobre seu telefone.
Já se passaram três dias de apuros e curiosidades, esse enigma me tira o sono, me tornei zumbi, amante da vida alheia, desconheço o que é dormir, qual sua necessidade na minha vida?
As únicas coisas que sei é que existe outro ser em outra ala
Isso já virou lição de casa e eu ainda não consegui fazer.
Do meu quarto posso ouvi choro e lamento, o eco do seu soluço não me parece estranho.
Posso ouvir gritar, me parece triste ou nem sei se alegre.
Um sorriso calibrado, já nem sei definir suas emoções, estou confuso.
Voltei ao nível um do meu jogo
Seu enigma contra mim se refaz
Desapontado decidi não ser mais seu desvelo.
Desvencilhar sua conexão com minha mente será a melhor opção, porque viraste um duraque para mim.
Sendo eu, um caçador de enigmas, vivo a desventura do objeto desconhecedor

2012

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