Dentro de mim um bálsamo que pulsa meu ser frio, intrépido,
desiludido do que fora nós.
Me arremesso por entre os rios que deságua mar abaixo e eu
que não sei nadar, me despeço em ar e torço que um pedacinho meu encontre teu
corpo e beije tuas lembranças que fomos nós.
Feito purpurina que solto no ar encontra a pele quente e
abraça, quero ser em céu nublado a correnteza que esvazio de mim em lágrimas. Quando
de repente olha para o céu que sem quê nem porquê começara a chover, me enxerga
daí, tão longe de mim?
Dividido sobre o olhar da plateia que impedia o beijo final
e não se despedia das almas que sufocando aguardavam o fechar das cortinas para
voltarem a sorrir. Eu estive ali o tempo todo assim, sufocando e jurando aguentar
mais tempo assim.
Como balão de ar quente sem tocar o
chão, fugindo pelo ar, sou eu, fugindo das lembranças que diariamente se constrói de
nós.
Assim me lanço vento afora por este rio que deságua e eu não
sei nadar.


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