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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Caminho do fim


Dentro de mim um bálsamo que pulsa meu ser frio, intrépido, desiludido do que fora nós.
Me arremesso por entre os rios que deságua mar abaixo e eu que não sei nadar, me despeço em ar e torço que um pedacinho meu encontre teu corpo e beije tuas lembranças que fomos nós.
Feito purpurina que solto no ar encontra a pele quente e abraça, quero ser em céu nublado a correnteza que esvazio de mim em lágrimas. Quando de repente olha para o céu que sem quê nem porquê começara a chover, me enxerga daí, tão longe de mim?
Dividido sobre o olhar da plateia que impedia o beijo final e não se despedia das almas que sufocando aguardavam o fechar das cortinas para voltarem a sorrir. Eu estive ali o tempo todo assim, sufocando e jurando aguentar mais tempo assim.
Como balão de ar quente sem tocar o chão, fugindo pelo ar, sou eu, fugindo das lembranças que diariamente se constrói de nós.
Assim me lanço vento afora por este rio que deságua e eu não sei nadar.


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