A gente sempre
lembra aquele doce preso no dente no meio da reunião, aquela pedra no sapato
no meio de uma passeata com uma multidão eufórica.
A gente sempre lembra... lembra de lembrar o que devíamos ou queríamos esquecer, lembra a dor da perda,
do machucado que o levou ao hospital, da palavra “mal-dita”, do desapego, das
covardias...
Fecho meus olhos
e me vejo diante deste tribunal penoso, esse HD interno que me computa o que devia
estar esquecido, talvez por pirraça ou um motivo maior que eu desconheça, vive expondo
os erros e dores diante do telão, seja um quarto, uma sala vazia, um banheiro
calmo ou mesmo nos sonhos vazios. Acima
de tudo e principalmente os machucados que aos curativos já não apresentam cura.
Criou vicio e o amassado se expõe como rasuras.
O certo é que a
gente sempre se lembra daquele pedaço doce que machuca os dentes, que sangra por
dentro um coração que custa pulsar para manter equilíbrio uma casa sem morada.
Desta forma, a gente sempre
lembra o que devia ter esquecido.
E tem sido isso,
precisar lembrar de esquecer e assim, a gente sempre lembra o que precisa
ser esquecido.


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