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quarta-feira, 27 de maio de 2020

A gente sempre lembra o esquecido


A gente sempre lembra aquele doce preso no dente no meio da reunião, aquela pedra no sapato no meio de uma passeata com uma multidão eufórica. 

A gente sempre lembra... lembra de lembrar o que devíamos ou queríamos esquecer, lembra a dor da perda, do machucado que o levou ao hospital, da palavra “mal-dita”, do desapego, das covardias...

Fecho meus olhos e me vejo diante deste tribunal penoso, esse HD interno que me computa o que devia estar esquecido, talvez por pirraça ou um motivo maior que eu desconheça, vive expondo os erros e dores diante do telão, seja um quarto, uma sala vazia, um banheiro calmo ou mesmo nos sonhos vazios.  Acima de tudo e principalmente os machucados que aos curativos já não apresentam cura. Criou vicio e o amassado se expõe como rasuras.

O certo é que a gente sempre se lembra daquele pedaço doce que machuca os dentes, que sangra por dentro um coração que custa pulsar para manter equilíbrio uma casa sem morada.

Desta forma, a gente sempre lembra o que devia ter esquecido.

E tem sido isso, precisar lembrar de esquecer e assim, a gente sempre lembra o que precisa ser esquecido.

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