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quarta-feira, 27 de maio de 2020

Quieta, deite-se e durma.

Te vejo entrar no banheiro, se arruma, põe seu batom vermelho, sua roupa bonita e sai como quem vai a um encontro.
Ah, garota, riu muito de ti, você me distrai as vistas com essa sua ilusão de liberdade, de ser. Onde pensa que vai, pequena iludida?
Tornei-te presa em meu castelo, me divirto ao ver-te toda produzida se olhando no espelho pelo reflexo desta garrafa que outrora me deliciou com seu vinho rosé. Sabe que está linda, mas ocultar-te estas palavras corta-te a alegria deste coração ferido.
Você é meu palco favorito, minha prisioneira. Eu fui a tua a escolha, te coloquei numa garrafa e me contemplo com teus olhos tristes e seus braços inúteis e imbecies que famintos me pedem colo. De mim, terá apenas o adubo suficiente para ter força teu caule. Preciso manter-te viva para alegrar meus dias, minha pequena garota.
Xiiii, não seja ingrata, te trouxe para mim e realizei seu desejo, ainda que assim, sou teu e estou aqui do outro lado a te encontrar quando sinto necessidade de saudar-te com meus olhos.
Por agora, feche os olhos e descanse, a rua está deserta e o barulho que ouve é apenas o meu celular com sonoro de pássaros que coloquei para que o seu despertar seja mais doce e leve... Então durma,
Durma,
Durma.

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