Querida Tais,
Hoje, ouvi de um amigo que a raiva é um sentimento forte, mas também muito fácil. Fácil de sentir, fácil de esconder. Às vezes, ela existe só para disfarçar algo maior. Porque amor e ódio, no fim, são linhas que quase se tocam.
E isso me fez pensar. Porque, para mim, existem duas versões da mesma pessoa. Uma que eu gosto muito. Outra que me desperta uma raiva imensa. E, no fundo, as duas são a mesma. Eu as vejo ao mesmo tempo, e sinto as duas na mesma intensidade—como um relâmpago.
A gente sabe quando está relampejando. A gente sente aquela inquietação no peito, tenta evitar certas situações, se protege como pode. Mas, no fim, sabe que a tempestade passa e que, depois do trovão, seguimos com a vida.
E talvez seja por isso que eu sinta tanta raiva. Talvez eu não odeie de verdade. Talvez eu só odeie o fato de que, no fim, não foi uma escolha minha.
Mas sabe o que é curioso? Algumas pessoas só valem pelo encanto do primeiro momento. Depois, desencantam. Porque são ocas, sem troca, sem soma. Pessoas que não valem o silêncio a sós.
E então eu me perguntei: e essa pessoa?
A resposta veio rápida. Isso não se aplica aqui. Porque o “a sós” desse alguém é diferente. O “a sós” dele vale duas garrafas de vinho — ou mais.
E talvez seja por isso que eu ainda esteja aqui, tentando entender o que sinto.
Com carinho,
Tais.
#bt-bt


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