Ela
parou de frente a mim, firmou seus olhos e disse: REAJA!
Eu
levantei meus olhos sobre ti e a vi, linda, forte e cheia de pólvora. Firmei
sobre seu olhar o meu olhar e vi a mim.
Um
poço de dinamite que precisa explodir. Explodir parecia dores, mas também a
saída que poderia clarear um poço escuro e aparentemente sem direção.
E
ali fiquei, ali estou, diante desses olhos dores querendo explodir, soltar
faíscas de arco-íris que compõe seu interior.
REAGIR!
Ela
foi embora, ela que partiu e sem insistir me deixou vazio.
Eu
que sempre a tive ao meu lado, que me acostumara com a sua companhia, me ceguei
e dormi.
Ela
partiu, como quem levanta numa madrugada silenciosa, se veste para trabalhar
como em um dia normal, mas neste ela partira.
Ela
saiu como o vento que toca a pele e a gente não o saúda, assim ela foi.
Ela
que sempre foi meu lar, minha companhia, minha mulher e minha amiga, ela saiu.
O
inverno chegou, inundou minha casa e neste momento percebi, percebi que a muito
tempo ela partiu e me deixou aqui, de frente o espelho pensando se no próximo verão
ela estará aqui ou se foi embora e eu demorei demais para descobrir.
Ela
partir e eu fiquei aqui...
(sem)REAGIR!


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